sexta-feira, 18 de maio de 2007

O Brasil é o país mais poético do mundo (Discurso no Forum de Cultura de Itaituba - PA)

Senhoras e senhores,

Em nome do Ministro Gilberto Gil quero agradecer o convite e dizer que para o MinC, é um enorme prazer poder participar de um evento que busca situar a cultura no centro das políticas públicas.
O Brasil é o país mais poético do mundo! A poesia surge quando colocamos, lado a lado, coisas que nunca estiveram juntas. O fenômeno poético surge dos deslocamentos de sentido que uma coisa causa na outra, a poesia está neste significado terceiro que brota.
Portanto, para que haja poesia é necessário que exista diálogo, e o diálogo só é possível quando existem diferentes vozes.
O Brasil é polifônico por formação. Mintura fina entre negros de diversas Áfricas, índios de várias tribos e brancos de todas as caras e falas.. E esses encontros, desregrados e férteis, foram sendo temperados pela geografia plural de um país continental.
O resultado é uma diversidade cultural sem paralelo em qualquer outra parte do planeta.
Mas esta diversidade está escondida, sufocada, ameaçada. Precisamos redescobrir o Brasil.
É por isso que o Ministro Gilberto Gil quer o Ministério presente em todos os cantos e recantos de nosso país, porque queremos que o MinC seja como uma luz que revela, que reflete e que ilumina tudo aquilo que às vezes fica sob a sombra.
Assim, vários programas do Ministério estão voltados para aqueles que sempre estiveram à margem. Às várias margens: da sociedade, do rio Tapajós, da BR 163, porque na verdade, com diz um poeta do sul, não estamos à margem de nada, estamos no centro de uma outra onda. E o Brasil está no centro de uma nova onda mundial, o Brasil é a grande potência cultural do sec. XXI, pode ser...
E o Estado tem um papel fundamental nesta possibilidade. A atuação do Estado na área da cultura tem que ser a de uma caixa acústica que reverbera a polifonia multifacetada e colorida das criatividades locais e, mais do que isto, deve ser um Estado que instiga, ouve, abriga e dispõe.
Cabe ao Estado, em parceria com a sociedade, zelar pelo patrimônio material e imaterial, mas cabe também zelar pelo matrimônio da velha guarda com a vanguarda, da tradição com a ruptura, da raiz com a antena porque não resta dúvidas de que é na cultura que se encontram o passado e o futuro do Brasil.
Cabe à cultura, em sua dimensão simbólica contribuir para a resignificação de um mundo cada vez mais embrutecido; cabe à cultura, em sua dimensão de cidadania promover a inclusão e o pleno desenvolvimento humano daqueles que sempre estiveram historicamente apartados; cabe à cultura, em sua dimansão econômica gerar renda e desenvolvimento para o país, de uma maneria sustentável e limpa, de uma maneira mais horizontal e justa contribuindo para a redução das desigualdades medonhas que caracterizam o Brasil.
As indústrias criativas vão revolucionar a ordem social no Brasil. E esta revolução será poética, ou não será!

Obrigada.

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